Claro que ao som e voz de Radiohead: www.youtube.com/watch?v=cQqbuZOPE5g
A melancolia alegre de agora beber uma cerveja no próprio quarto e olhar um pouco pra trás. As janelas emparelhadas. Cada um fuma seu cigarro olhando pra frente e logo ali, a menos de 5 metros, tem mais concreto, em outro bloco de prédio do condomínio.
Mais pra trás, minha época mais feliz, de universidade. Não havia preocupação em garantir as contas pagas para todo mês. Havia tanta festa dentro e fora dos quartos das ruas Hugo Cabral e Pará. Hoje pra mim lá não havia dúvida, eu era vivo para comer, beber, transar, ler e viajar. Essa música intimista do Radiohead era escutada mais alto, quando não se tinha muito pra esconder. Hoje ela vai baixo quando.
O improviso era outra coisa.
Aquela seriedade lúdica podia esperar um pouco mais.
As presenças de espectros agora dão um sentimento formado e garantem conforto.
Escutar alguma música do Radiohead exige. O Valentino tocaria "Life in a glasshouse" com a avenida Bandeirantes em orvalho às 06:30 am e a gente catando copo de plástico com resto de cerveja?
Parece, olhando hoje, que não há mesmo nada com que se surpreender, tirando essa vista do passado, de construir uma narrativa bem guardada de bebedeiras, muito sono (quando não tirava a cama pra se recostar), viagens, caronas, aulas assistidas. Agora não há pra quem se mostrar a nova arrumação do quarto.
No surprises
Comments
No comments yet