
Mês retrasado o senhor veio me visitar. Uma semana antes da Páscoa. Estava em férias, e aproveitando-as na casa de sua mãe e irmãs na região de Campinas, esticou até Londrina. Ligou: “Vou passar uns dias aí com você”. Fiquei um pouco temeroso, por dois motivos: 1. ando muito embaralhado com trabalho e estudo; 2. há algum tempo não permanecíamos sozinhos.
Foram apenas dois dias aqui em casa: sábado e domingo. Aproveitamos bem. Fomos ao Museu Histórico da cidade, onde não havia ido ainda, almoçamos naquele simpático restaurante vegetariano, passeamos no shopping olhando despreocupadamente as vitrines, pegamos um ônibus errado que rodou rodou e voltou ao ponto de partida. Era noite e chovia. Foi um bom passeio redundante. Enfim conseguimos pegar a linha certa e descemos na avenida. Depois subimos a outra avenida tentando fugir da rala chata chuva que não nos molhava, mas umedecia. Cumprimos a quadra do cemitério São Pedro sem pestanejar.
Comemos pizza. Conversamos nós três: o senhor (o pai), eu (o filho) e ela (a namorada do filho). Dormimos cansados e satisfeitos.
Na segunda-feira, quando eu me preparava pra ir trabalhar, o senhor entrou num táxi e foi pra rodoviária tomar o ônibus de volta à casa das tias e da vó.
Foi uma boa visita. Não tenho, como Kafka, que nos olha acima de duas maneiras, do que reclamar. Ele o fez em sua carta. Eu agradeço sua vinda.