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O ex bar da minha rua

Sexta-feira, dia 25/04/2008, fui ao Bar do Jota (rua Prof. João Candido, 1256 – Centro, perto do cemitério São Pedro e da J.K.) com alguns amigos. É o único bar que freqüento com alguma assiduidade, geralmente uma vez por semana, depois que chego do trabalho. Estávamos sentados à mesa do lado de fora e, em frente à nossa, várias mesas juntas, com uma maioria de mulheres. Duas delas estavam muito próximas, trocavam olhares de carinho, se abraçavam e, em dado momento, deram alguns beijos. Eram basicamente “selinhos”, não beijões reveladores da paixão que talvez sintam uma pela outra. Elas estavam bem no meu campo de visão.

Todo mundo sabe que mais da metade do público do Jota é composto de homo e bissexuais. A parcela hetero, pelo menos pela experiência que tenho por estar lá, não parecem se incomodar muito ao ver dois homens ou duas mulheres se beijarem. Eu confesso que acho até bonito, pois de alguma forma é um avanço as pessoas demonstrarem suas sexualidades da maneira que quiserem. E essa discussão em ser homo, hetero, bi, tri, ou o que for, é de uma tremenda chatice. Rótulos servem apenas no início do conhecimento de alguém, depois perdem o sentido com a complexidade que as pessoas tendem a mostrar.

Acontece que uma hora o garçom, um senhor que me enoja pelo seu jeito de atender e pedir centavos pra sua “caixinha” (se não me engano seu nome é Mário), chegou até as meninas e fez um gesto que interpretei como uma ordem para as duas pararem de se beijar ali. Falou de modo ríspido e repulsivo. As duas apenas pararam e olharam-no de modo submisso, como duas ovelhas.
Não acreditei no que vi e fui ao balcão falar pro João (que arrendou o bar) o que seu garçom fizera e também perguntar se tinha alguma norma que proibisse aquilo.
As respostas dele tento resumir:

“Aqui isso não é liberado”
“A maioria das mulheres que vêm aqui são assim. Mas elas são sempre bem-vindas”.
“Uma vez uma mãe reclamou que passou aqui com o filho pequeno e tinha um casal de homens se beijando”.

Ok. Pelo que sei isso é caracterizado mais como crime do que como afronta a qualquer pessoa. Pelo que sei ganhar dinheiro com as bichas e sapatonas (uso esses termos porque me acho o suficiente amigo de vários homossexuais para assim escrever) pode, mas eles demonstrarem seu afeto, não. Um casal hetero se agarrar furiosamente, com beijos e pegadas mais fortes pode... Duas mulheres se beijarem ternamente, isso não.

O que me assusta é ninguém falar nada. Tudo bem que as meninas já devem enfrentar uma barra pra de repente se assumirem e se exporem com algum argumento. Tudo bem que uma possível criação antiquada e machista do garçom e do João leva a esse tipo de repreensão.
Tudo bem PORRA NENHUMA. Cansei de engolir sapos e ficar quieto. Cansei de ver esse tipo de preconceito e ninguém falar nada. Não sou militante em causa alguma, MAS ISSO É ERRADO! Ou não?

E a noite estava propícia a exemplos de distorções. Um casal estava com seu filho recém nascido lá, chorando. Marquei a hora: 01:30 a.m. Não era esse o crime? Falei pro João: “Crime, safadeza e tudo mais é esse casal trazer uma criança para um bar nesse horário. Era isso que você devia proibir. Bar é lugar para criança?”

É muito complicado se decepcionar com alguma coisa.
Só sei que o que eu puder fazer para diminuir a clientela do Bar do Jota, eu farei. Até, triste, vou evitar ir lá, mesmo sendo perto de casa.

E que engraçado. Pesquiso na net e olha a descrição que acho:
“O Bar do Jota é um endereço tradicional no meio intelectual e universitário, embora abrigue diversas tribos da cidade. Faz todos os tipos de porções e lanches, incluindo a famosa vaca atolada, servida mesmo no período do verão. Também estão à disposição dos clientes duas mesas de sinuca.”
(http://www.planetalondrina.com.br/guia/guia.asp?Categoria=44)

“Meio intelectual”, “embora abrigue diversas tribos da cidade”... Só rindo. Esses caras são engraçados.

Comments

13 comments

isis wrote:

isso também presenciei no jota, essa repressao, esse moralismo banal, essa mentira. e que ridículo esses dois pesos e duas medidas. e que horror esse tipo de relacao que as pessoas tem com o que é adequando: um casal homo nao pode se beijar e um casal hetero leva um bebe no bar até as 1:30... no que é melhor interferir?
querido, adorei que vc levantou, valou, criticou, contestou. indiozinho! adoro vc!
Sunday 27 April 21:41

Alê [desloguilson] wrote:

O Jota não é o único bar de Londrina em que o publico GLS é maioria. Surgiram novos de um ano pra cá, como o David Bar (que só abre aos sábados e fica em frente a uma praça, na Quintino Bocaiúva quase esquina com a Benjamin Constant), o New York Lounge (que fica na Av. Bandeirantes, a umas quatro quadras do Jota) e um outro que abriu na JK, perto da Unifil. E tem o Valeco velho de guerra. Que o Jota fique entregue às moscas!
Sunday 27 April 22:00

joao wrote:

Concordo em número, gênero e grau. E estou na campanha com vc. Além de não ir, tentarei convencer os poucos amigos que lá vão, para fazerem o mesmo.

abração!
Sunday 27 April 22:38

Garçom do Jota [desloguilson] wrote:

As moscas podem ficar, mas se, gays, não poderão se beijar em cima do doce.
Monday 28 April 07:06

beethoven wrote:

Que triste, isso. Já sabíamos da homofobia do Jota há bastante tempo, não é, meu caro? Todavia, seu testemunho é imprescindível. Muito importante, muito necessário. Que fique às moscas o boteco.
Friday 02 May 19:03

paulo [desloguilson] wrote:

liga nao, gente... isso é coisa de caipira (e infelizmente ldna tem muito)... o que sinto na verdade por essas pessoas é muita pena... por tamanha ignorancia! por isso até parei de sair em ldna...
Friday 20 June 16:39

P.M.F. [desloguilson] wrote:

liga nao, gente... isso é coisa de caipira (e infelizmente ldna tem muito)... o que sinto na verdade por essas pessoas é muita pena... por tamanha ignorancia! por isso até parei de sair em ldna...
Friday 20 June 16:39

P.M.F. [desloguilson] wrote:

liga nao, gente... isso é coisa de caipira (e infelizmente ldna tem muito)... o que sinto na verdade por essas pessoas é muita pena... por tamanha ignorancia! por isso até parei de sair em ldna...
Friday 20 June 16:40

Neuza [desloguilson] wrote:

Só espero que, além de boicotar o referido lugar, vocês tenham antes providenciado uma carta explicando os motivos para o dono do bar. Só assim ele vai ter consciência de sua ignorância, equívoco e, quem sabe, pedir desculpas e mudar suas concepções.
Friday 20 June 17:45

Dinter [desloguilson] wrote:

Ontem fui com uma amiga ao bar do jota,e esse mesmo garçom citado acima ,a olhou de cima em baixo,com coisa que ela fosse doente ou algo parecido!
Tomamos apenas uma cerveja e saimos .
Pessima a atitude dessas pessoas! Bar do jota ,nunca mais !
Friday 27 June 15:19

Neuza [desloguilson] wrote:

Como eu falei antes, quem se sentir discriminado por causa da orientação sexual precisa escrever uma carta de protesto e entregar para o dono do bar. Só assim ele vai se tocar de seus próprios preconceitos e de seus funcionários. Só assim ele vai saber dos motivos de estar perdendo clientes.
Friday 27 June 16:50

Cabides [desloguilson] wrote:

Bom, não só tenho conhecimento sobre a homofobia do Bar do J, como já vivi uma situação pbem semelhante como essa das duas moças, relatada acima. Do mesmo jeito que o garçom não foi nada cordial, soube devolver a "patada" sob a mesma "educação", dizendo "é? então me processe". Após esse dia nem eu, nem minha namorada retornamos àquele lugar. Não preciso ser aceita por ninguém...mas respeito é bopm e tod mundo gosta. Eu não abro mão. Se houver um abaixo assinado ou alguma petição, quero assinar. Bjos
Thursday 07 August 12:00

WILL COSTA [desloguilson] wrote:

Ok, atrasadinho, mas vamos lá. Estmos lançando nossa revsitinha on-line gay para Londrina: http://www.tolloka.com

Logo, logo, este blog será comentado em uma das matérias: o rotirão de bares de Londrina. Por favor, Miguel, entre em contato escrevendo para mim na seção "não faz a uó" da revista.

Obrigado,

Will
Sunday 10 August 00:17

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