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Os benefícios do Dorflex®

Dorflex

Sempre fui fraco pra bebida. Dependendo do dia, uma cerveja já me deixa num estado alucinado. Tiro um pouco de sarro com aquela piada para justificar meus excessos, que estão se tornando cada vez mais raros: “Eu bebo pouco. Mas o pouco que eu bebo me transforma em outra e pessoa e essa outra pessoa bebe pra caramba”.

Já exagerei muito. Várias vezes. Nas esquinas, nos botecos; algumas poucas vezes em boates, em minha casa; na casa dos outros, em festas; em postos de gasolina, em restaurantes; em quase todo lugar. Tive até alguns problemas, o que me fez várias vezes pensar em parar definitivamente de beber pelo remorso inevitável. Mas como disse um bigodudo alemão, “A vantagem de ter péssima memória é divertir-se muitas vezes com as mesmas coisas boas como se fosse a primeira vez”.

Contudo, a graça foi acabando. As leves e breves ressacas de antes se transformaram em pesadas e longas dores de cabeça, uma horrível sensação de morte e vertigem constantes. Seguramente a idade e o tempo ativo de copo e garrafa contribuíram para os efeitos colaterais acentuados.

Hoje me contento em aprender a beber, controlando para não deslanchar noite adentro com infindáveis cervejas. Antes de chegar à primeira dezena, contada individualmente, prefiro parar para evitar as conseqüências físicas e psicológicas do dia seguinte.

Mas quando aparece algum daqueles sintomas, nada como um Dorflex.

A ação do Dorflex, em mim, é quase que instantânea. Pego como exemplo a última ingestão de um comprimido, há uns cinco dias.

Tinha bebido algumas cervejas no Bar do Jota. Não muitas, e acho que engoli uma pururuca junto para forrar o estômago com gordura suficiente para despistar o efeito nocivo do álcool. Às sete da manhã do outro dia levantei para mijar e senti a cabeça meio pesada, uma leve pontada nos lados. Não houve dúvida: um Dorflex de prontidão e a cabeça entre as mãos ao sentar-me no vaso (sim, mijo sentado na maioria das vezes em minha casa, principalmente quando estou quase dormindo). Ao voltar para o colchão, o efeito do misterioso citrato de orfenadrina já começara a ser sentido, pois esse relaxante muscular é rápido e certeiro, potencializado pela presença maciça da dipirona sódica e da cafeína anidra no comprimidinho branco.

Deitado, é fechar os olhos e sentir a cabeça sendo tratada com luvas de pelica, relaxar as pernas, o tórax, o pescoço, afagar o travesseiro e largar-se num sono merecido. Quando se acorda, ainda dá pra sentir os benefícios do Dorflex sendo encerrados com um leve aceno de “Se precisar de novo, estou aqui na cômoda. Obrigado!”. Obrigado digo eu e minha massa encefálica restabelecidos.

Há centenas de outros paliativos para amainar a caveira quebrada no outro dia depois da noitada. Tylenol, Neosaldina, ASS, Alivium, a lendária Aspirina etc. etc. etc. Eles se dividem, grosso modo, em duas grandes famílias: os com o princípio ativo paracetamol e os com o princípio ativo dipirona. Hoje podemos comprar os genéricos. Entramos na farmácia e gememos: “Um paracetamol, por favor”, ou “Uma dipirona sódica, por obséquio”. Ah, a Aspirina não contém nenhum desses, e sim Ácido Acetilsalicílico. Daí a ardência ocasional no estômago quando algumas pessoas tomam esse medicamento.

Eu sou partidário da dipirona. É aquela fidelidade como a uma marca de cerveja que rejeitamos e asseguramos que, se bebê-la, a dor de cabeça será certeira. Em matéria da loira sou partidário da Antarctica. A genérica e também seu supra-sumo, a Original. Mas isso é um outro papo.

*
Sugestão de leitura: o ótimo conto do escritor e jornalista gaúcho Luís Dill, intitulado "Paracetamol". Disponível em http://www.releituras.com/ldill_menu.asp.

Comments

6 comments

Luiz [desloguilson] wrote:

Eu mastigo minhas aspirinas! Não sou fã de Dorflex, e paracetamóis da vida...

Infelizmente, tenho medo da má-afamada dipirona! E ela sempre causa em mim uma estranha sensação, de aumentar a percepção do cloro na água, depois que a tomo.

Mas nada como um misto quente e uma coca-cola, em uma padaria semi-ordinária, depois de uma ressaca, não é?

Abraços

PS: http://www.fotolog.com/fot_...
Tuesday 05 February 14:14

margo unchanning [desloguilson] wrote:

Ah, Miguel, Dorflex é tudo. Sinto que ele está fazendo efeito quando começo a esfregar um pé no outro e sinto aquela sensação de relaxamento. Muitos aqui falam dos benefícios da Neosaldina, mas a única coisa que aquele comprimidinho parecido com M&M me dá é enjôo. E eu também mijo sentado em casa, principalmente durante a madrugada, quando nem acendo a luz.
Tuesday 05 February 15:15

Miguel [desloguilson] wrote:

Verdade, Margo! Me esqueci dessa sensação de relaxamento, que também tenho, que é esfregar um pé no outro... É um grande sinal de que o Dorflex está acalmando o corpo mastigado.
Tuesday 05 February 15:44

leandro [desloguilson] wrote:

tenho dores aguda na coluna e já estou tao viciado em dorflex que mesmo tomando tres de uma vez nao faz mais efeito...quem sabe tomar cinco resolve
Tuesday 19 February 16:14

JCS [desloguilson] wrote:

Leandro não tome remedios por conta propria,lembre-se de que a efeitos colaterais podem fazer mal a sua saude, consulte seu medico, tambem tenho dores lombares e faço rpg ...é uma boa pq vc nao tenta fazer tambem...
Tuesday 19 February 16:18

Fernando [desloguilson] wrote:

Muito bom, Miguel! Um escrita leve e clara.

Acabei de tomar o meu dorflex, mas não por estar com dor de cabeça, e sim pra render mais nos exercícios.

Abraço.
Tuesday 01 July 16:56

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