
Ler o post da Margo (http://james.tipos.com.br) de 31/01/2008 me encheu de sentimento. Escrever sobre idas e vindas, encontros e despedidas, desencontros e chegadas é sempre uma maneira de tentarmos nos compreender e compreender os outros também. Por falta de saber o que dizer agora pra expressar eu mesmo esse vazio, recorro a um poeta brasileiro que, na minha opinião, é o maior. Deixei um trecho desse poema no blog citado, mas nada como o inteiro:
“Profundamente” – Manuel Bandeira
Quando ontem adormeci
Na noite de São João
Havia alegria e rumor
Estrondos de bombas luzes de Bengala
Vozes, cantigas e risos
Ao pé das fogueiras acesas.
No meio da noite despertei
Não ouvi mais vozes nem risos
Apenas balões
Passavam, errantes
Silenciosamente
Apenas de vez em quando
O ruído de um bonde
Cortava o silêncio
Como um túnel.
Onde estavam os que há pouco
Dançavam
Cantavam
E riam
Ao pé das fogueiras acesas?
— Estavam todos dormindo
Estavam todos deitados
Dormindo
Profundamente
*
Quando eu tinha seis anos
Não pude ver o fim da festa de São João
Porque adormeci
Hoje não ouço mais as vozes daquele tempo
Minha avó
Meu avô
Totônio Rodrigues
Tomásia
Rosa
Onde estão todos eles?
— Estão todos dormindo
Estão todos deitados
Dormindo
Profundamente.
(BANDEIRA, Manuel.
Libertinagem & Estrela da Manhã. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2000)
te beijo!
(PS: esse bandeira...)