Tem dias que são tão silenciosos... Não dá pra qualificá-los como tristes nem alegres, apenas silenciosos. Daquele jeito que você anda nas ruas do centro de Londrina bem no meio da tarde, mas não ouve nenhum barulho. Hoje foi assim. Essa chuvinha chata que andou pela cidade deu um toque de recolher a todas as falas. Mas há ainda a capacidade de se comover. Eu estava me encaminhando pro calçadão, quando me deparo, numa banca de revistas ao lado do Sebo Capricho da pracinha, com dois exemplares das revistas “Discutindo Filosofia” e “Discutindo Literatura” (ponho seus sítios ali embaixo). Nas respectivas capas, Henri Bergson e Machado de Assis. Interessam-me. Entro no pequeno local e solicito ao vendedor as duas. Ao ouvir meu pedido uma senhora se anima e puxa conversa. Ela fala que foi professora de Português, deu aula no Mãe de Deus, entre outros lugares. Sempre gostou de ler e de cultivar a língua portuguesa. Acaba contando um pouco de sua vida. Hoje se dedica à leitura por prazer (a mais importante), faz palavras cruzadas, caminha bastante, faz tudo sozinha sem amparo físico de outrem. Uma senhora abundantemente viva em seus quase oitenta anos. Ao me despedir aperto sua mão e ela sorri para mim. Um sorriso doce, despreocupado, confortador. Não pergunto seu nome, e isso é o que menos importa. Um pouco mais de vida entra em minha pele. Tomara que na dela também. Sigo em direção ao calçadão com Bergson e Machado na bolsa. E o olhar daquela linda senhora na cabeça e no coração.
http://www.discutindofilosofia.com.br
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Archive for January of 2008
Seize the day
January 29, 2008Welcome to the Fight Club!
January 28, 2008
Escreverei mais sobre esse filósofo logo logo. Enquanto isso, ouçamos:
The Rules of Fight Club
1st rule: You don't talk about Fight Club.
2nd rule: YOU DO NOT TALK ABOUT FIGHT CLUB.
3rd rule: If someone says stop, goes limp, even if he's just faking it, the fight is over.
4th rule: Only two guys to a fight.
5th rule: One fight at a time.
6th rule: No shirts no shoes.
7th rule: The fights go on AS LONG AS they have to.
8th rule: If this is your first night at Fight Club, you HAVE to fight.
by Tyler Durden
As leis do Clube da Luta
1ª lei: Você não fala sobre o Clube da Luta.
2ª lei: VOCÊ NÃO FALA SOBRE O CLUBE DA LUTA.
3ª lei: Se alguém diz “Páre!”, desmaia, ou bate no chão, mesmo que ele finja, a luta ACABOU.
4ª lei: Só dois caras numa luta.
5ª lei: Uma luta de cada vez.
6ª lei: Sem camisa, sem sapatos.
7ª lei: As lutas duram O TEMPO QUE TIVEREM QUE DURAR,
8ª lei: Se essa é sua primeira noite no Clube da Luta, você TEM que lutar.
por Tyler Durden
Que nome é esse?
January 26, 2008
Em todo ano, antes do fim do mês de janeiro, eu pratico um ritual, que é transferir os nomes e telefones da agenda do ano anterior para a do ano que se inicia. Não sei se alguém ainda faz isso. As pessoas simplesmente usam seus celulares para essa função ou portam agendas eletrônicas. Acontece que é algo que não deixo de repetir e me dá algum tipo de prazer, talvez o de começar a escrever em papel de ano em branco.
Hoje não foi diferente. Comecei lá da letra “A” até chegar à “Z”, preenchendo os campos de letras em que havia algum conhecido. Muito fácil. Começa a ficar difícil quando você encontra o nome ou referência a alguém do qual não se lembra... Aliás, pra adiantar a questão: numa agenda (seja de papel, eletrônica, virtual, ou seja qual for), acho que existem três tipos de contatos. Há aqueles que não precisariam estar lá, pois você sempre se lembra dos seus telefones, por serem contatados freqüentemente. Há os que você sempre olha para se certificar de que o número é aquele mesmo de que você se lembra, e quase sempre você, inseguro, está correto. E há aqueles dos quais você não se lembra nem do nome, muito menos do número que ali está. Passar ou não esse desconhecido para sua nova agenda? Perderei o que se o não fizer?
Quantos nomes já foram deixados para trás nas agendas dos anos anteriores... Dá vontade de algum dia pegá-las todas, guardadas em pilha no armário, e sair ligando para os nomes e números que hoje em dia não sei quem e de quem são. Seria uma longa noite para isso.
Hoje não foi diferente. Comecei lá da letra “A” até chegar à “Z”, preenchendo os campos de letras em que havia algum conhecido. Muito fácil. Começa a ficar difícil quando você encontra o nome ou referência a alguém do qual não se lembra... Aliás, pra adiantar a questão: numa agenda (seja de papel, eletrônica, virtual, ou seja qual for), acho que existem três tipos de contatos. Há aqueles que não precisariam estar lá, pois você sempre se lembra dos seus telefones, por serem contatados freqüentemente. Há os que você sempre olha para se certificar de que o número é aquele mesmo de que você se lembra, e quase sempre você, inseguro, está correto. E há aqueles dos quais você não se lembra nem do nome, muito menos do número que ali está. Passar ou não esse desconhecido para sua nova agenda? Perderei o que se o não fizer?
Quantos nomes já foram deixados para trás nas agendas dos anos anteriores... Dá vontade de algum dia pegá-las todas, guardadas em pilha no armário, e sair ligando para os nomes e números que hoje em dia não sei quem e de quem são. Seria uma longa noite para isso.
Um nome ao obscuro
January 22, 2008
- Bom dia às trevas eu me aqueço e deito.
O silêncio descortina em volta de meandros que crescem com a barba embaixo de um lençol úmido. Na cartilagem das horas deposito a gente em papelotes de cocaína,
Fumo barato e litros de cerveja. Amém.
As risadinhas inócuas, as infindáveis cervejas, os cigarros nas bocas dos bagres – isso é insosso e enjoativo.
Querer viver só e solitário, blargh...
A palavra falida é o indício de um limite alcançado
O líquido da cólera esvaziando o copo caído
Me desculpe ser grosso e sem educação, má educação permite certos excessos de grafia
A Londrina de hoje não é mais a de antigamente
Vive em mim a intensa sensação de que alguém vai morrer
Queria falar sobre coisas boas e ter contrato
“Mãe, ligo de longe e digo que me receberam bem”.
O Valentino não era um arremedo caixote de madeira imitação barata de cabaré
O Festival de Teatro tinha luz e Cabaré com pessoas e não totens,
Móbiles
Os desertores, prófugos e malditos não existem mais
Deixemos tudo para trás
Abraçado ao rancor de livros
Há duas chances de se descobrir quem quer ser descoberto
“Mas, mãe, digo que me receberam bem aqui.”.
Que converso com alguém e alguém conversa comigo
Naquele bar há muitas pessoas na frente do balcão
Minha cabeça zonza pede passagem no circuito infernal das coisas
Toca alguma coisa na vitrola? Toca?
Afeto?
Uma máquina pra nada
Uma máquina humana jogada fora
Em aulas de dança ou natação
É preciso seguir em frente nos gerais
Perdi o vício de fumar na segunda,
O caráter na terça-feira
O amor na quinta-feira
A amizade na sexta-feira
No sábado não perdi nada
Em domingo não se perde
O meu nome, pessoa, carne, nervos, cabelos, músculos e gorduras
Têm endereço confirmado bem perto do cemitério
Cagar na privada é indício de espirituosidade
Ajusta óculos, senta na cadeira, pára e escreve
Começa do início, depois continua e no fim termina
Há década que não fumo cigarro tão perfumado
Os vômitos vêm de detritos mal digeridos
O horror de ter agora o corpo doído, alquebrado, falido em suas juntas, ossos, sangue ralo, carne em tecido morto. São essas vestes que tecem a vida agora precária e insubmissa, pois há outra vestimenta, a da ilusão, ricocheteios magros em cima de um
muro de cimento alvo.
Quem dera ter em busca de santos e salmos,
Quem dera crer inquestionável em algo redondo e cristalino
Quem dera não querer saber de mais nada além da vista enturvada e parca
Dentifrícios, estupeficientes,
Um bloqueio acre na palma da mão encurvada
As pálpebras pálidas de projetos não concluídos
As pernas não sobrevivem sem a cabeça flatulenta
Aqueles cães esfomeados no fundo do quintal
Aquele liquido vindo direto nos nervos, puro desespero que deixa o corpo acabado
Deságua na ainda noite (a amanhecer) no terminal urbano de Londrina.
São 06h20m a.m.. escuro e inverno.
Luzes pálidas brancas – amarelo ovo das carcaças grandes de metal sob rodas –
Nessa quase madrugada houve uma ambulância
Siate – Samu, talvez – numa das plataformas do 301, 302...
E um senhor negro bem escuro houve sentado
No banco de cimento tendo sua pressão medida no braço direito
Isso não chamaria atenção – morte pela manhã,
Do coração.
Quase todos fulminantes pela manhã de segunda-feira.
Mas o velho tinha o olhar distante, sentado,
Compenetrado em pedra,
Não brilhava, assustava aquele olhar seco, quase sem doce –
Aquele velho deveria morrer com seus esculachos engolidos, andrajos e óleo na pele salgada,
Morrer como os pobres trabalhadores todos cinza. Morte. A todos –
Os ônibus logo estavam saindo do covil de
gemas
Tão amarelas tão pálidas gemas a diesel.
Dentro de cada ovo há um calor de gente,
uma fluência de hálitos,
nacos de pão contidos do café no dente no cabelo nas costas, blusas e cabelos,
de manhã há resquícios de pão por toda volta.
Esse nome que se procura sibila após os dentes cariados se baterem em aplauso ósseo
Imagina a forma pedestre do cascalho soterrado pelo asfalto
Vil que não sobeja às máquinas variadas.
É bicolor como a terra temperada a fogo.
Tratados de amizade pacífica, interesse ao próximo com que se acostuma durante um tempo. Fere e puxa nesses nossos dias modernos, contemporâneos, pós-modernos. Antes de tudo, nada. Tudo novo.
Havia dois amigos que saíam pra passear.
O bosque era tanto desconhecido quando atraente.
A amizade ficou no penúltimo gole da fonte límpida. Uma pena.
Havia três amigos que adoravam viajar juntos.
Um dia foram de carro e um pneu furou.
Abandonaram-no e cada um por si. Pena.
Há um cara alegre que mora em uma república
Com mais quatro, mas é só.
À noite seu colchão cheira mofo. Pena.
E quem não é cego?
Mesmo quando um desespero certo alude ao frio do inverno,
Quando o quebra-cabeça que tentamos montar é levantado do chão por uma série de equívocos. Quando armou-se um labirinto do qual não se consegue mais sair, isolar-se sempre é a melhor solução. Se é. Continuemos.
(Aqui esfriou ontem)
No nosso país.
Esse país, qual mesmo? E ser insignificante, medíocre, o mundo às avessas mesmo, e se querer sério, disposto, alegre e cheio de bundas. Esse é meu país, essa é minha pátria, sem ironia porque essa figura não cabe mais aqui. Não cabe no ar, na terra, nas águas... Não cabe no avião, no carro, no navio dos que querem ir embora, porque isso não é um país. Alguma vez foi? Nunca política apeteceu. Esse país é o país dos oportunistas, ladrões, piadas sem-graça.
O silêncio descortina em volta de meandros que crescem com a barba embaixo de um lençol úmido. Na cartilagem das horas deposito a gente em papelotes de cocaína,
Fumo barato e litros de cerveja. Amém.
As risadinhas inócuas, as infindáveis cervejas, os cigarros nas bocas dos bagres – isso é insosso e enjoativo.
Querer viver só e solitário, blargh...
A palavra falida é o indício de um limite alcançado
O líquido da cólera esvaziando o copo caído
Me desculpe ser grosso e sem educação, má educação permite certos excessos de grafia
A Londrina de hoje não é mais a de antigamente
Vive em mim a intensa sensação de que alguém vai morrer
Queria falar sobre coisas boas e ter contrato
“Mãe, ligo de longe e digo que me receberam bem”.
O Valentino não era um arremedo caixote de madeira imitação barata de cabaré
O Festival de Teatro tinha luz e Cabaré com pessoas e não totens,
Móbiles
Os desertores, prófugos e malditos não existem mais
Deixemos tudo para trás
Abraçado ao rancor de livros
Há duas chances de se descobrir quem quer ser descoberto
“Mas, mãe, digo que me receberam bem aqui.”.
Que converso com alguém e alguém conversa comigo
Naquele bar há muitas pessoas na frente do balcão
Minha cabeça zonza pede passagem no circuito infernal das coisas
Toca alguma coisa na vitrola? Toca?
Afeto?
Uma máquina pra nada
Uma máquina humana jogada fora
Em aulas de dança ou natação
É preciso seguir em frente nos gerais
Perdi o vício de fumar na segunda,
O caráter na terça-feira
O amor na quinta-feira
A amizade na sexta-feira
No sábado não perdi nada
Em domingo não se perde
O meu nome, pessoa, carne, nervos, cabelos, músculos e gorduras
Têm endereço confirmado bem perto do cemitério
Cagar na privada é indício de espirituosidade
Ajusta óculos, senta na cadeira, pára e escreve
Começa do início, depois continua e no fim termina
Há década que não fumo cigarro tão perfumado
Os vômitos vêm de detritos mal digeridos
O horror de ter agora o corpo doído, alquebrado, falido em suas juntas, ossos, sangue ralo, carne em tecido morto. São essas vestes que tecem a vida agora precária e insubmissa, pois há outra vestimenta, a da ilusão, ricocheteios magros em cima de um
muro de cimento alvo.
Quem dera ter em busca de santos e salmos,
Quem dera crer inquestionável em algo redondo e cristalino
Quem dera não querer saber de mais nada além da vista enturvada e parca
Dentifrícios, estupeficientes,
Um bloqueio acre na palma da mão encurvada
As pálpebras pálidas de projetos não concluídos
As pernas não sobrevivem sem a cabeça flatulenta
Aqueles cães esfomeados no fundo do quintal
Aquele liquido vindo direto nos nervos, puro desespero que deixa o corpo acabado
Deságua na ainda noite (a amanhecer) no terminal urbano de Londrina.
São 06h20m a.m.. escuro e inverno.
Luzes pálidas brancas – amarelo ovo das carcaças grandes de metal sob rodas –
Nessa quase madrugada houve uma ambulância
Siate – Samu, talvez – numa das plataformas do 301, 302...
E um senhor negro bem escuro houve sentado
No banco de cimento tendo sua pressão medida no braço direito
Isso não chamaria atenção – morte pela manhã,
Do coração.
Quase todos fulminantes pela manhã de segunda-feira.
Mas o velho tinha o olhar distante, sentado,
Compenetrado em pedra,
Não brilhava, assustava aquele olhar seco, quase sem doce –
Aquele velho deveria morrer com seus esculachos engolidos, andrajos e óleo na pele salgada,
Morrer como os pobres trabalhadores todos cinza. Morte. A todos –
Os ônibus logo estavam saindo do covil de
gemas
Tão amarelas tão pálidas gemas a diesel.
Dentro de cada ovo há um calor de gente,
uma fluência de hálitos,
nacos de pão contidos do café no dente no cabelo nas costas, blusas e cabelos,
de manhã há resquícios de pão por toda volta.
Esse nome que se procura sibila após os dentes cariados se baterem em aplauso ósseo
Imagina a forma pedestre do cascalho soterrado pelo asfalto
Vil que não sobeja às máquinas variadas.
É bicolor como a terra temperada a fogo.
Tratados de amizade pacífica, interesse ao próximo com que se acostuma durante um tempo. Fere e puxa nesses nossos dias modernos, contemporâneos, pós-modernos. Antes de tudo, nada. Tudo novo.
Havia dois amigos que saíam pra passear.
O bosque era tanto desconhecido quando atraente.
A amizade ficou no penúltimo gole da fonte límpida. Uma pena.
Havia três amigos que adoravam viajar juntos.
Um dia foram de carro e um pneu furou.
Abandonaram-no e cada um por si. Pena.
Há um cara alegre que mora em uma república
Com mais quatro, mas é só.
À noite seu colchão cheira mofo. Pena.
E quem não é cego?
Mesmo quando um desespero certo alude ao frio do inverno,
Quando o quebra-cabeça que tentamos montar é levantado do chão por uma série de equívocos. Quando armou-se um labirinto do qual não se consegue mais sair, isolar-se sempre é a melhor solução. Se é. Continuemos.
(Aqui esfriou ontem)
No nosso país.
Esse país, qual mesmo? E ser insignificante, medíocre, o mundo às avessas mesmo, e se querer sério, disposto, alegre e cheio de bundas. Esse é meu país, essa é minha pátria, sem ironia porque essa figura não cabe mais aqui. Não cabe no ar, na terra, nas águas... Não cabe no avião, no carro, no navio dos que querem ir embora, porque isso não é um país. Alguma vez foi? Nunca política apeteceu. Esse país é o país dos oportunistas, ladrões, piadas sem-graça.
Page turner
January 13, 2008
“Palavras não pronunciadas pairam nos lares como espectros, sobretudo nas noites opressivas em que não se consegue dormir e em que todos, olhos abertos, fitam um mesmo ponto no forro da casa” (Moacyr Scliar).
No texto abaixo escrevi sobre alguns autores que quando lemos nos pegam pelo cangote e não nos largam até terminarmos de ler suas páginas, seja um conto, novela, romance ou mesmo ensaio. Eu tentava definir o que é isso e não encontrava palavra adequada. Acabei chamando esses autores de “Os meus clássicos”, pela verve obsessiva de leitura que eles nos imprimem, pela fúria de não conseguirmos desgrudar os olhos de suas palavras até que acabe o livro. “Os meus clássicos”... Palavras bem pessoais para elucidar uma ocorrência completamente particular que pode ser estranha para outros que leiam aqueles autores.
Hoje, olhando jornais passados que ficaram embaixo da porta enquanto viajava para as festas de final de ano, encontrei uma resenha sobre o novo livro do Luiz Alfredo Garcia-Roza, intitulado Na multidão (Companhia das Letras, 176 páginas, R$ 32). Garcia-Roza criou o personagem Espinosa, um policial carioca que se envolve em intrigas que perpassam a alta sociedade carioca e seu bas-fond (O silêncio da chuva e Achados e perdidos, que virou filme inclusive, são dois de seus livros mais conhecidos). Pois bem. Nesse texto do Jornal de Londrina aparece uma curiosa expressão, page turner, que literalmente vem a ser “virador de página”. O jornalista indicava essa expressão que traz a simplicidade e objetividade da língua inglesa para caracterizar essa novela recém publicada do autor policial carioca. Nada mais exato! Era o modo de se referir a autores desse naipe que eu procurava: vem a ser exatamente o tipo de livro que nós lemos e as páginas vão passando, às dezenas, sem que nos apercebamos.
Nessa semana comecei a ler o último livro do Moacyr Scliar, O texto, ou: a vida – uma trajetória literária (Bertrand Brasil, 272 páginas, R$ 39). Como o próprio título mostra, é uma autobiografia literária do escritor gaúcho entremeada por alguns de seus contos, trechos de romances e novelas. Tudo num tom de conversa e confissão elevadas no mais alto grau de precisão estilística. Mas que delícia ler esse livro! Comprei-o num sebo da bela cidade de Curitiba por módicos R$ 15 e na rodoviária da capital já me punha a lê-lo deslumbrado com a capacidade narrativa de Scliar, de como ele consegue prender a leitura sem cansar, colocando humor, humildade, inteligência e sensibilidade para compor um olhar específico sobre sua formação como escritor e médico. Ao chegar em Londrina já estava na página 123, ávido para jantar, tomar um banho e voltar para esse porto alegre. Um verdadeiro page turner!