Se caminhar pra julgamento e
Na madeira maciça observar
Caírem poeiras iluminadas.
Grãozinhos de ar ao sol
Pousando no aeroporto de peroba crua.
A substância dos olhos
No auge do desespero,
Paradas de proporções deploráveis
Sem canal por onde passar qualquer alumbramento.
Três tipos se postam às portas:
Todas as entradas da casa.
Sempre subversivo, pedido para não aparecer,
Escondido, vilipendiado, o não quisto.
Todas as mesas vazias
Tomadas de rancor.
Desmembrado eu sigo pela noite
Porque parece não haver dúvidas de que
Por mais que se esperneie
Por mais que se grite (e olha que grito)
Sempre sem dúvida há a certeza de que
Tudo passa.
(E passa).
A gente acaba ficando bobo
A gente acaba ficando tolo
A gente acaba ficando belo
Desmembrado, pois a cada relação naufragada há um pouco de mim que se perdeu, algo que ficou pelo caminho. Mas junto tenho dois braços ainda, duas pernas, olhos, bocas e sexo, não de todo aleijado.
Publicado em 28 de outubro de 2007 às 11:53 por miguel
(...)
aos que estão longe como eu te leremos em deleite. e mesmo com sua armadura, serão tuas palavras um troféu.
(...)
saudade. adoro ler de ti.