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Archive for September of 2007

Tocantinense

September 08, 2007
ao norte


"É engraçado. A gente nunca devia contar nada a ninguém. Mal acaba de contar, a gente começa a sentir saudade de todo mundo" (J.D. Salinger, O apanhador no campo de centeio).


Tenho um coração que fica no sertão.
No norte,
Nordeste,
Lá pra cima,
Pra frente.

Ele fica às vezes bravo de estar longe e não no lugar onde realmente está...

Tenho uma família com que brigo às vezes.
Depois passa e dá saudade.

(Um coração que dança forró, maxixe,
Lambadão cuiabano –
Que gosta de dançar à solta,
Gosta de sanfona e realejo.
Que é principalmente movido à nostalgia da sanfona.
Gosta de solos de dança num boteco de esquina lá do Tocantins, aquela terra pobrita e quente).

Aquelas vozes eletrônicas bregas e chiques
De um Brasil real? Real é a poeira desse chão em que pisam meus sórdidos pés.

Ressoa ainda na cabeça dura de osso: “Avisa aqueles olhos lindos que eu já cheguei”.

A confusão dessas músicas, olha, meu coração,
É a saudade de você estar longe e nem saber.

Aquilo que conheço ou julgo conhecer me dá medo.
Uma lucidez estranha embriagada,
Um diabinho no ouvido falando
“Pra lá,
Pra cá”...
Um medo inconcluso sem sombras nem raios.

No meu jantar já teve só cerveja, só pinga, só solidão, só cocaína, só sexo
E tudo só.

Todo mundo corre de seu lugar e vai pra outro lugar
Onde haja graça,
Como um burro xucro do nordeste.
Algumas coisas vão ficando pelo caminho.

Nem é esbaforida. Tem cheiro e som de sanfona de música do Tocantins.
Música-povão, música-cerveja, como a gente gosta.
Gritarias de calor ardidas que nem o peito que se arrebenta sozinho numa quitinete da cidade que está longe, longe.