Ópera-Bufa

Lisotte

E tantos foram, não voltam, eu apenas durmo.
Pois saí pra tomar um porre e não voltei.
(Penso em Lisotte em Copenhague).
O bar todo riu de Lisotte, ela bêbada, chutada, vilipendiada,
Que chorou, a Lisotte musculosa, queimada, um travesti em carne fibrosa.
Mas nós, podres, você não, eu podre, apodrecendo nas fumaças e cervejas.
Enquanto na volta pra casa Lisotte vai cambaleando em seu salto alto,
Eu fujo de mim sem querer, nos desvãos de uma permanência incerta.
Lisotte é morta e enterrada, mas a terra não deglutiu seu corpo moreno cor-de-jambo.
Nesse mesmo aeroporto fogem os aviões de lembranças, minhas costas ardem de carregar pedra;
Lisotte rala seu ombro nu, inteiro,
Eu rôo momentos fáceis, mas não são pra mim, sei.
Nenhum desespero é maior que a Vida crua sem pedir licença.
O medo atravessa quem ficar de quatro para ele.
Lisotte prostituta travesti nega mulher-homem de saia amarela:
Me ajuda.

Publicado em 28 de julho de 2007 às 19:52 por miguel

Comentários

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    • por Markão
    • 31.Jul.2007 às 11:00 - Permalink - Reportar
    Markão
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