Morreu o chato Bruno Tolentino. Anteontem, acho. Deixou alguns livros de poesia e uns ensaios polêmicos atacando outros chatos, como os irmãos concretos Campos. Um deles também já morreu, o Haroldo. Entre uma chateação e outra, uma lâmina, como esse prelúdio de A balada do cárcere. Árida.
"Um prelúdio"
Amadureci aos poucos,
cresci muito devagar
como os álamos e os loucos
e acabei indo morar
na Casa dos Homens Ocos,
um charco pardo ao luar
entre o tempo morto, os roucos
rugidos do vento e o mar.
Lá se vive sem querer;
lá ouvi uma elegia;
dou-a aqui tal qual ouvi-a
ao cair do entardecer
sobre a charneca vazia,
os pântanos que há no ser.
(Bruno Tolentino, 1940-2007).
Publicado em 28 de junho de 2007 às 17:46 por miguel