Uma voltinha pelas ruas, vá lá. Só alguns minutinhos, nem vai demorar.
E eu tenho que escutar isso enquanto espero o ônibus, e um velho insiste dizendo pra uma piranha que deve ter o quê, sei lá, quantos anos? Dezoito, dezenove. Pouco importa. Importa sim, que ele diz isso segurando um cigarro, seu Charm longo, com o rabo grudado em sua pick-up 4x4, e eu queria saber pra que uma 4x4 se ele nem é caubói. Deve ter uma porra de uma chácara herdada de um avô que, esse sim, sabia trabalhar. Garanto que ele leva a mulher-com-cabelo-tingido-da-avon e os filhos drogaditos todo o final de semana pra lá, talvez ordenhe as vacas na posição de agora, de dentro da pick-up, com meio braço estendido mandando a vaca esguichar leite, porque não deve nem saber como pegar numa teta de verdade.
Ontem eu dei o rabo pro meu chefe. Explico: ele é uma bicha beirando os quarenta, mora com os pais e caça michês no começo da noite, quando diz pra eles que vai ver o segundo episódio de Star Wars com uma amiga (sapatona metida a decifrar horóscopo). Ele sempre ficou de olho em mim e eu fazendo cara de bravo; nunca gostei de homem, a não ser nos troca-trocas de menino. Aí eu sempre dava, pois sempre fui da opinião que homem come mulher. E aí a gente fica sozinho no escritório ontem até tarde, ele me pede pra datilografar umas coisas que eu nunca fui a fim de entender; sempre quis saber de artes, um dia desses consigo. Mas a razão não é essa. Há meses sem trepar, com muito tesão acumulado, e cheio de ter que conversar com mulheres, saquei a da bicha. Falei que ia pegar uns papéis no fundo e depois de uns minutos chamo ele, que já devia estar de pau duro imaginando eu estocando nele. Ele chega e me vê batendo uma punheta. Primeira reação: susto. Segunda: cara de pedófilo. Terceira: pergunta o que eu quero fazer. Eu falo que é pra ele me chupar e depois me comer. Aqui a única exceção que devo pras bichas, é que só homem é que sabe chupar um pinto, o filho da puta por uns momentos me fez esquecer o quanto eu odeio ele. Abaixo completamente as calças e ofereço minha bunda, já besuntada com sabonete hidratado, o melhor, do banheiro do escritório. Falo pra ir sem camisinha mesmo e pode gozar dentro. Eu pude sacar que ele ficou sem entender muita coisa, mas seu pinto estava duro que nem ferro, e nem doeu. O filho da mãe gozou rápido. Eu subi as calças a perguntei onde estava aquela papelada de setembro. Ele achou engraçado o que ele julgou uma brincadeira e respondeu com cara de quem quer me comer nessas situações estranhas sempre que estavam logo atrás do arquivo horizontal, e, que nojo, que sempre perguntasse antes, pra ele me mostrar onde ficavam os arquivos secretos do escritório. Fechei o zíper e senti o líqüido molhando minha cueca.
Não, fica daqui uma hora e meia de ônibus, é bem rapidinho. Eu estudo na Unip, tô quase me formando.
(Que Unip, que nada. Ela deve dar a noite inteira pra pagar o que ela nem sabe de manhã, fica nos corredores arranjando filhinhos-de-papai pra comerem ela em despedidas de solteiro. Por mim, se perguntassem, chegaria ali onde estão esse velho nojento e essa puta universitária e diria que é melhor ela dar logo pro reitor que o diploma vem mais fácil e ela não precisa se gastar mais. E diria também pra ela exigir que o velho usasse K-Y na penetração anal. E que cobrasse mais caro porque ele compra cremes avon pra mulher-com-cabelo-tingido-da-avon. Mas eles nem notaram minha presença, eu finjo muito bem que estou lendo. Mas se eles não agirem logo, se ela não montar logo na pick-up-sem-razão dele eu vou lá dizer umas verdades. Nem pra serem discretos os dois).
Hoje chamei meu chefe e o odiei mais ainda. Me deu uma olhada de cúmplice como quem diz mais tarde, mas não por isso só, ele disse também seu típico “já falo com você”, chavão que ele deve dizer pra um dos michês que ele leva pras surubas em suítes presidenciais, enquanto dá pra um e chupa o outro, deve dizer pro terceiro “já falo com você”. E eu chamei ele realmente pra perguntar onde estava o próximo bloco pra datilografar, pois eu não agüento mais fingir que estou trabalhando. Ele nem nota, o ridículo, deve ficar pensando se vai me comer de novo, ou se eu é que vou satisfazê-lo completamente colocando ele de quatro feito uma ovelha assustada. Até que gostei de dar pro meu chefe. Talvez continue isso, mas penso que não pra ele, claro. Teria que escolher um amigo de confiança só pra isso. Mas sem beijos, também não quero chupar. Se ele quiser ele me chupa e tem que enfiar no meu rabo. Como meu chefe, que depois do “já falo com você” veio com um bloco de ticket alimentação inteirinho só pra mim.
Publicado em 29 de março de 2007 às 08:35 por miguel