No fim das contas continua tudo o mesmo. O som baixinho no computador, uma alguma música que toque. Uma latinha de cerveja retirada da geladeira e levada a janela com um cigarro. O cheiro da noite vindo de manso. A pequena casa toda em poucas sombras. Leituras de vez em quando, informação necessária. Vontade de cagar quando bate aquela nostalgia, vontade de sair por aí, beber até cair, conversar, ou não. Algum pó de cocaína, ou não. Mais cerveja, ou não. Dormir, ou não. A tela do computador sendo ligada em intervalos. Os pensamentos sobre a vida, a vida, cara, pensamentos sobre a vida que não terminam nunca, pensamentos que não chegam a nenhum lugar. Ficar sozinho em casa de cueca, sozinho. Procura de qualquer coisa interessante, uma música que toque. Vontade de falar com um amigo. Páginas e páginas empilhadas. Vou cagar quando der. Um samba quente pra dar acalanto. Luiz Melodia andando pelo Estácio, boa companhia. Mais um cigarro. O cheiro de canto da casa continua o mesmo. Mais trabalho. Um supetão de suspeita que deva vir alguma frase em qualquer momento da noite rascando só o que há em mim pois sou baixo pequeno e meio burro sempre a vizinhança a sorriso sem reclamação o vento toca lá fora e eu tenho de dormir vem Tipos vem me falar mais.
Publicado em 24 de março de 2007 às 00:12 por miguel