Porque quando acordo e gel no cabelo, pasta nos dentes, água nas mãos: quinta-feira de aulas, sou professor. E me ponho a falar, mas ninguém escuta, ninguém escuta, eu falo e falo e o caranguejo, digo, aquele com cabelo de caranguejo estraçalha meu humor, a putinha que trepa com o irmão me deixa de pau duro e é loira, é morena, é triste. De súbito saco meu 38, acendo um cigarro de cravo e o cheiro de pólvora se mistura ao de cravo, batem à porta, é a coordenadora pedagógica com os olhos arregalados pelo vidro e eu digo ninguém entra, ninguém sai, e a Rosely vai ser sacrificada pois caiu da cadeira. Bang-bang, dois na cabeça. O sino só toca ao meio-dia; então romantismo brasileiro, na poesia, se divide em três gerações, entenderam? Alguma pergunta? Nada? Até quinta que vem.
Publicado em 08 de fevereiro de 2007 às 13:06 por miguel