Archive for January of 2007
A putinha do quarto três
January 31, 2007
As pessoas nem são tão bonitas o quanto a gente pensa quando está bêbado. É um tal de quarto comunitário, edícula atrás de loja de marmitas no centro, cheiro de comida no meio estomacal faminto. Mas a rabada foi no almoço, são três e tanto, quase quatro; à madrugada. A madrugada inteira de bar em bar “procurando alguma coisa pra me estraçalhar” que nem o uivo do cantor seria capaz de investigar. E o cheiro de Qboa, ou é porra; não interessa, não é pra isso isto. É que ficamos no quarto, luz apagada, ela de mau humor, eu já com os testículos derretidos; desmancharam, enquanto assistíamos a um reality show dentro do quarto três.
Viagem aos seios de Otília
January 29, 2007
Aconteceu há pouco e estou agora a escrever enquanto aguardo interrogatório. Estava com minha cunhada, Otília, no cartório do calçadão. Fui com ela pedir uma certidão de óbito de seu pai. Falando com a moça atendente, esta me pediu que eu esperasse um momento. Ok, a gente espera, não tenho muito o que fazer mesmo, o movimento lá fora tá grande, nessa chuva todo mundo se lambuza, seus guarda-chuvas se abrem em flores, uns correm, outras molham os pezinhos sob sandálias indecorosas, pés brancos, unhas feitinhas, ai ai, dedinhos carnudos pedindo umas mordiscadas minhas. Foi quando olhei de lado. Otília amamentava o Bernardinho, seu filho recém-nascido, meu afilhado. (Como dizer isso, o que se passou? Voei em seu seio esquerdo, pois o direito estava sendo usado por Bernardinho. Voei como pássaro decidido a pescar no lago aquele peixe visto de cima, como cobra-cega num bote surdo voei despreocupado e instintivo que não consigo precisar. Depois só o silêncio constrangedor e algemado. Agora aguardo. Como vou dizer ao delegado que não queria exatamente prejudicar o bico do seio esquerdo de Otília?)
Ajazevadeviche
January 28, 2007
É a primeira palavra que ocorre em momento tão legal. Tão sublime. Tão gostoso. Estar de volta e não saber o que escrever. Sem ter planos ainda definidos sobre o que falar. Só algumas palavras de que gosto. Que animam a preencher espaços e espaços em branco. Aqui ou em outro lugar. Um incentivo. Uma risada. Agradecimentos. Uma merdinha chamada ajazevadeviche.